Palavras que lavam momentos
Segunda-feira, Março 31, 2008
Placas na Internet viram fumaça. Ninguém pode por placas no mundo. Há muitas línguas. Aprendo qualquer delas e falo, desbocada.
Comments:
postado por: Marcia 11:31 PM
Quinta-feira, Março 27, 2008
Na rua de baixo morava um bicho que rugia em busca da noite. Ninguém saía sob lua cheia. Não viam sua cabeça, acreditavam ouvir e sabiam que existia.
Comments:
postado por: Marcia 9:53 PM
Quarta-feira, Março 26, 2008
Tudo acontece como se por vontade própria. Vêm os pensamentos, enfileirados, tomando conta do espaço ilimitado da imaginação.
Não importa se são bons, ruins ou se misturam, confundem, pregando peças que vão da alegria ao medo. Eles são donos de si e de mim.
Ao mesmo tempo tenho medo e coragem e na coragem me encolho assombrada pelo que me dizem.
Não me ouvem, apenas me falam de coisas insólitas ou de coisas comuns, com a mesma pressa natural de quem não respeita nem tem compromisso com nada.
Dizem sim e não sem levar em conta as conseqüências.
Tristeza vale tanto quanto alegria, porque eles freqüentam a mente sem pedir licença e sem deixar escolha.
Quisera amarrar-lhes e ditar-lhes um conteúdo, distanciar-me das ondas malévolas. No entanto, por mais que tente não me obedecem.
Afloram do nada e vão criando, construindo sons, imagens, vertigens.
Fechar os olhos não adianta, porque no escuro da mente mostram cores, dores, mentiras, invenções e lágrimas que jamais se materializam.
O silêncio é falsa realidade na mente conturbada. Há uma vida paralela que progride.
Figuras da lucidez e da loucura que atropelam a lógica e desprezam a razão sem considerar o perigo de destruir a matéria à sua volta.
É difícil conviver com paralelas ocultas e irreveláveis que são partes de quem sou.
Tresloucados pensamentos, tortura disfarçada de imaginação criativa, inconseqüente aos resultados.
Luta insana no embate do cotidiano.
Cabeça independente.
Comments:
postado por: Marcia 10:56 PM
Segunda-feira, Março 24, 2008
Ferida profunda.
Sangue que não se vê escorrer.
Machucado nas entranhas etéreas
por punhais de palavras que
penetram, atravessam, rasgam, dilaceram.
Dores de alma.
Sofrimento largo de silêncio lento,
que de parco à vista faz a dor sem eco.
Encontrar a cura é tarefa do herói invisível,
resgate do fundo de um poço
mais fundo que o de Psiquê.
Recolher os pedaços.
Como um artesão, reconstruir o trabalho estragado.
Como um escultor, aprimorar a estátua acarinhando com lixa.
Como um pintor, retocar o quadro, aguardar o tempo, passar o verniz.
Como o poeta, fazer do sangue um verso, do processo um poema.
A cicatriz é troféu. Secreto.
Comments:
postado por: Marcia 11:10 PM
Domingo, Março 23, 2008
Viceja no furor do transito a serviço do metal mais vil que nunca viu titilar no bolso. Serviço inútil do motor que ruge ao risco. Moto. Boy. By.
Comments:
postado por: Marcia 7:47 PM
Sexta-feira, Março 21, 2008
Vazio.
Estranhamento.
Gente diferente das gentes
perdendo referências
por restrições à solapa.
Sinalizam-se furacões,
tempestades.
Signos ruins,
silenciosos,
assinalam
do ser vivo
o desprazer de não ser.
Não ser parte,
não ter sorte,
não ter norte,
mas ser forte
ante o arbítrio.
Suprimir é mote
dos detentores dos lotes.
Lotes regalos
de auto-titulados,
desejosos do mando
próprio dos donos.
O juizo final é previsível.
O umbral disponível,
para carrascos de seres,
antes humanos,
antes recursos,
ora descartes.
Comments:
postado por: Marcia 10:05 PM